A GENTE ENCONTRA - QUE TAL ALGO NOVO? HEIN? HEIN?HEIN?


Somente os extremamente sábios e os extremamente estúpidos é que não mudam. - Confúcio
E não é que é verdade? Mudar é preciso. Transformar-se de tempos em tempos, fundamental. Afinal, a mudança faz parte do crescimento e da maturação de qualquer processo evolutivo. É por isso que o AGE - A GENTE ESCREVE mudou (tchan, tchan!) para AGE - A GENTE ENCONTRA. Uhruu!!



Se você é novo por aqui, em primeiro lugar, seja muito bem-vindo. Para os fieis seguidores nestes quase 10 anos, meus agradecimentos de coração. Dá trabalho fazer um blog que busca trazer conteúdo relevante como informação e entretenimento ao mesmo tempo. Mas também dá muito prazer descobrir que vale a pena levar até vocês artigos e matérias que causem alegria, risos, reflexão e conhecimento. Seguidores, seus lindos, continuem curtindo e compartilhando!!!


O AGE - A GENTE ENCONTRA está sendo modificado gradualmente e todas as suas 256 postagens atuais serão revistas, atualizadas se necessário e corrigidas. Teremos publicações traduzidas, mais conteúdo e novidades sobre livros, cinema, música, cultura pop e nerdices em geral. Um aviso superimportante:

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POR QUÊ NINGUÉM COMENTA?


Comentários são fundamentais para melhorar artigos e descobrir o que vocês, leitores, mais gostam. Drama de todo blogueiro, sugestões e comentários (educados de preferência, ouviram haters?) são sempre bem-vindos. Uma dica simples para deixar todo blogueiro feliz é a regra dos "3C´s": Curta, Comente, Compartilhe. Fácil, né? 

Por enquanto é isso, amiguinhos. Aguardem novos posts para breve, avisem a família, os amigos, o chefe, a empregada e o porteiro :)

A gente se encontra no AGE. Até a próxima!!!



 
 

CAÍDO EU TE VEJO E COMO AMAR UM MUNDO EM CHAMAS


O Homem precisa se queimar em suas próprias chamas para poder renascer das cinzas - Friedrich Nietzsche
Conversando com uma amiga que não via faz tempo, ouvi uma frase muito interessante: "Eu não sabia como você estava para se interessar em como eu estava". Uau, esse comentário possui diversos valores diferentes sobre essa grande "bolha" individual e coletiva na qual vivemos e a Entropia do nosso universo pessoal em tempos de Redes Sociais e aplicativos de bate-papo.

Entropia é um princípio da termodinâmica que explica a desorganização das moléculas em um sistema ordenado. Quanto maior a temperatura, maior é a desorganização das partículas. Quanto maior a desorganização das partículas, maior é a Entropia. O melhor exemplo é o do gelo que, do estado sólido, se transforma em água com o aumento da temperatura. Em termos coletivos, A Entropia Social é a desordem de um sistema que deveria ser organizado mas se tornou um caos por falta de controle e cuidado. E este é o nosso momento atual, infelizmente.

Vamos pular as desculpas e eventual culpa que sempre pontua as questões de falta de tempo para encontrar as pessoas ou cuidar do que precisa ser cuidado, ok? O ponto aqui é entender a desorganização do lado de fora (o Mundo) e do lado de dentro (o seu Mundo) e não apontar dedos ou soluções. Somente após o entendimento do que significa Ordem para você é que se pode pensar em como organizar o Caos.

O MUNDO PERFEITO - A ORDEM


Não é o perfeito, mas o imperfeito, que precisa de amor - Oscar Wilde
A utopia da perfeição sempre me incomodou. Para alguns, o perfeito é algo puro. Para outros, aquilo que funciona sem erros. Esteticamente, seria a manifestação da beleza como forma, imagem e movimento. Mas a perfeição exige um sacrifício: ela não pode ser mudada nem transformada. Ela precisa ser sempre o que é, na definição de quem a contempla. E é isso que torna a perfeição, um ato falho.

Em outras palavras, a perfeição é asséptica como um hospital, ela não pode ser contaminada por nada que venha de fora. A perfeição não aceita o conflito. Repare nos filmes e livros que retratam um futuro perfeito e sem guerras, fome ou desarmonia. Tudo é branco, limpo e mecanizado (inclusive as emoções). A perfeição é bela, vazia e solitária em si mesma porque se basta.


A perfeição ou o perfeito só pode ser contemplado à distância e representa um reflexo do Ego do observador. Isso porque o efeito da perfeição só pode ser sentido pela comparação do que não é perfeito. A medida do Perfeito é o Imperfeito, o inferior. Portanto, tudo que desejamos que seja perfeito, representa e disfarça uma forma de superioridade que nos distancia de qualquer coisa que ainda não tenha alcançado o seu potencial de excelência (perfeição). Em resumo, a perfeição é um modelo de arrogância.

SEU MUNDO EM CHAMAS - O CAOS


Quando ser bonita é o melhor que se tem, é provável que se transforme em decepção, porque você vai envelhecer de qualquer jeito. - O Mundo em Chamas - Siri Hustvedt
Na busca por "aquilo que funciona", pelo "belo e verdadeiro" e pela perfeição em geral, a Humanidade desenvolveu uma neurose, uma dificuldade de adaptação para existir no mundo. É fácil perceber isso na dicotomia (contraste de ideias) das Redes Sociais com suas selfies de lugares maravilhosos, boa comida e pessoas lindas que se misturam a pedidos de socorro, frases de autoajuda e fotos de crianças hospitalizadas ou cachorros atropelados. Longe dos Contos de Fadas, o mundo não é, nem de longe, um lugar para se viver "feliz para sempre"

Guerras, fome, violência, doenças, terrorismo, racismo, morte. Provocamos tudo o que não queremos porque desejamos a perfeição em cada relacionamento social e íntimo, em cada contato pessoal. "Eu não sabia como você estava para se interessar em como eu estava" (a frase da minha amiga), ilustra muito bem essa insatisfação dos contatos que perdemos por almejar, de forma egoísta, apenas o que pode satisfazer os nossos ideais perfeccionistas do "feliz para sempre".


A Terra possui 7,2 bilhões de outros mundos dentro de si mesmo. Esse é o número de habitantes do planeta. Cada um com a sua caixinha de ideias de perfeição e de "como fazer um mundo melhor". Cada um com seu desejo de encontrar o "par perfeito", "o emprego perfeito", a "casa perfeita", "o país perfeito". A luta pela perfeição ou qualquer outro idealismo, cria a imperfeição e sustenta o ciclo de erros. Sério, quem acha que assim a coisa vai funcionar?

CAÍDO, EU TE VEJO (DE VERDADE)


Se a proposta do aprendizado é marcar pontos e se dar bem em um teste, então nos perdemos a visão do verdadeiro motivo do que é aprender - Jeannie Fulbright
Só para não deixar dúvidas, eu acredito que todo esforço deve ser feito para que o mundo se torne melhor. Um esforço pessoal e coletivo, um trabalho que desenvolva novas tecnologias e aperfeiçoamentos para combater a fome, a violência, etc. Mas eu também acredito que o Leão sempre vai comer a gazela. Sempre. Ou seja, algumas coisas são o que são. Então, por quê ainda desejamos controlar e mudar sua natureza primordial?

Somente os seres humanos tem a capacidade de se apaixonar pela própria refeição ou ir contra a sua formação existencial e biológica. Somos a contradição literal dos fatos. Isso porque, adoramos o sofrimento voluntário, disfarçado de bondade altruísta que, por sua vez, encobre a necessidade de controle, poder e realização que o lado negro da perfeição tenta esconder com tanta "pureza". A perfeição é como uma estátua grega: linda, bela, pura e sem alma. Ela não representa, em sua totalidade, o ser humano cheio de conflitos e aspirações. E nunca poderia.

Mas, se o Mundo está em chamas e a perfeição é uma utopia, qual a solução? Apertamos o botão vermelho e corremos para as colinas para ver tudo queimar? Não exatamente.

O YIN YANG DO MUNDO - VOCÊ


Sonhos são realizações de desejos ocultos e são ferramentas que buscam o equilíbrio pela compensação. É o meio de comunicação do inconsciente com o consciente. - Carl Jung
Para amar um mundo em chamas (e as pessoas que nele vivem), talvez seja precisa dar um passo atrás e olhar o cenário geral. Toda utopia de perfeição nasce de uma insatisfação por algum modelo anterior que deu errado. Em termos evolutivos, o único caminho é para frente e nossas frustrações podem ser a base para grandes atos e transformações. Um novo emprego, amor, casamento, sociedade, música, obra literária, qualquer coisa onde a pessoa deposite seu potencial e um interesse legítimo e dinâmico.

Minha amiga me lembrou que eu precisava "sair do meu mundo" para se interessar pelo universo dela. Ir além das "minhas coisas". Me lembrou também que é preciso Consciência e Realidade para não entrar nessa onda moderna de estar conectado mas realmente não se conectar com pessoas e situações. Consciência é estar acordado, atento para o que acontece e ter foco. Realidade é entender que coisas ruins podem acontecer e acontecem o tempo inteiro. E isso não precisa ser o fim do mundo. Você pode estar caído e mesmo assim, apreciar a beleza à sua volta. A escolha existe.

"Eu não sabia como você estava para se interessar em como eu estava" Agora ela sabe. Vai atrás do que te interessa também. E tomara que não seja perfeito. Até a próxima!


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MEDIOCRIDADE E A GERAÇÃO DO "AMO MUITO TUDO ISSO"


A mediocridade é a arte de não ter inimigos. - Sofocleto

Uma das provocações que a Filosofia busca é o confronto com aquilo que se considera certo e absoluto, aquilo que pensamos ser inquestionável por já ter sido aceito por todos. Não se trata de perguntar se tal coisa é boa ou má, certa ou errada. Trata-se de perguntar o que ela representa para você

Na criação da dúvida e do questionamento (que não precisa, necessariamente, de uma resposta), desenvolvemos o pensamento dinâmico, maior habilidade para o debate e uma organização mais eficiente das ideias que defendemos. A proposta é sempre a mesma:

POR QUÊ (Motivação Emocional)
PRA QUÊ (Motivação Funcional)

A filosofia costuma ser, quase sempre, um ótimo antídoto para mediocridade, um tema complicado que sempre é confundido com o gosto pessoal ou ponto de vista. Em termos gerais, a mediocridade é o oposto da excelência, daquilo que existe de melhor na sua categoria. A mediocridade se estabelece sempre da média de alguma coisa, para baixo. Porém, a mediocridade é muito mais do que isso.

OS 3 GRAUS DA MEDIOCRIDADE


Segue parte de um ótimo artigo da revista Super Interessante (O ataque dos medíocres):

"Luís de Rivera, catedrático espanhol de psiquiatria, define a mediocridade como a incapacidade para valorizar, apreciar ou admirar a excelência, e distingue três graus:

Mediocridade comum: é a forma mais simples e inócua. Os seus sintomas são a hiper-adaptação, a falta de originalidade e uma normalidade tão absoluta que poderia ser considerada patológica: a chamada “normopatia”. Os que a manifestam não têm ponta de criatividade e não sabem distinguir a excelência, mas respeitam as indicações que lhes dão e são consumidores bons e obedientes. O conformismo permite que se sintam razoavelmente felizes.
Mediocridade pseudocriativa: acrescenta à anterior uma tendência pretensiosa para imitar os processos criativos normais. Enquanto o medíocre comum não se esforça para além do mínimo exigível, o pseudocriativo sente necessidade de aparentar e ostentar poder. A imagem é tudo para ele, mas, como não distingue o belo do feio, o bom do mau, não mostra inclinação para favorecer progressos de qualquer tipo e incentiva as manobras repetitivas e imitativas.
Mediocridade inoperante ativa (MIA) formam o terceiro grupo. Trata-se do mais prejudicial e agressivo, pelo que encaixa no perfil da maioria dos praticantes de assédio. Enquanto as categorias anteriores são simplesmente incapazes de reconhecer o génio, os MIA também se propõem destruí-lo por todos os meios ao seu alcance. O indivíduo afetado por esta síndrome desenvolve uma grande atividade que não é criativa nem produtiva, e possui um enorme desejo de notoriedade e influência. Por isso, tende a infiltrar-se em organizações complexas, nomeadamente as que já se encontram minadas por formas menores de mediocridade, com o objetivo de entorpecer ou aniquilar o progresso dos indivíduos brilhantes."

Vale dizer, somos todos medíocres em alguma área da vida. Você pode tratar sua saúde com mediocridade ou os estudos e mesmo o amor e seus relacionamentos. Isso não deveria ser um alívio para ninguém. Duas frases que estão na moda e fazem parte do pensamento medíocre e normalista são "é o que temos pra hoje" e "tá difícil pra todo mundo". É claro que o tom é de brincadeira. Até deixar de ser.

MEDIOCRIDADE SOCIAL

Tenho uma frase que sempre pula quando penso no senso comum: "Vamos comer m... porque 1000 moscas não podem estar erradas". Não existe a possibilidade de alguém discordar de você, se você concorda com todo mundo. O medíocre nunca entra em conflitos mas vai defender raivosamente o direito de ter um "gosto pessoal" igual ao de milhões. Não podemos esquecer que a mediocridade (assim como a pobreza e a falta de educação formal) é um mercado que movimenta milhões. Somos "educados" para sermos medíocres na escola, no trabalho e nas Redes Sociais em um modelo de marketing que funciona, mais ou menos, assim:


Destaco o motivo principal da mediocridade para o comércio: "As classes sociais inferiores não devem conseguir as ferramentas que necessitam para o crescimento social". A verdade doí, né? Calma, vai ficar pior.

A MEDIOCRIDADE COMO ESTILO DE VIDA

É muito chato classificar as pessoas por rótulos mas é o que fazemos, conscientemente ou não. Nesse caso, a propaganda é mais "honesta" porque coloca cada um de nós em um grupo de consumo e busca influenciar o que desejamos (ou não) consumir. O mesmo ocorre na política, na religião, no mercado de trabalho e nos relacionamentos. E a mediocridade oferece um verdadeiro Paraíso para nossas necessidades mais básicas. Exemplos: 

"Contanto que eu esteja satisfeito, não me importo de onde as coisas vem ou como são feitas."

"Não preciso ficar pensando ou analisando tudo. Isso é muito cansativo, a vida já é dura o bastante e eu tenho o direito de me divertir como posso." 

"Não tenho mais idade para mudar meu estilo e pontos de vista. Gosto de quem sou e pretendo continuar assim. Além do mais, isso não vai fazer diferença nenhuma para o mundo."

"Ficar parado, pensando nas coisas, é pra quem não tem o que fazer, gente que não trabalha duro como eu e não tem responsabilidades." 

Se você realmente acredita em alguma das frases acima, meus parabéns: você é um típico consumidor passivo de tudo que o mundo pode oferecer. Em outras palavras, você é medíocre.

ESPERTINHOS METIDOS A BESTA 



O mundo virou um churrasco na laje. - Luiz Felipe Ponde
A base da mediocridade é a massificação, onde a "massa" é qualquer coisa que possa ser misturada com outros ingredientes agradáveis para todos. Um produto massificado é aquele que atende as necessidades da grande maioria. Pode ser uma música, uma comida, um estilo de vida ou tudo junto. Os alemães tem um nome para isso: Kitsch.

 "(o) que se caracteriza pelo exagero sentimentalista, melodramático ou sensacionalista com a predileção do gosto mediano ou majoritário, e pela pretensão de, fazendo uso de estereótipos e chavões inautênticos, encarnar valores da tradição cultural (diz-se de objeto ou manifestação de teor artístico ou estético).

Em resumo, o Kitsch é o uso repetitivo de algo que funciona em termos de gosto popular e se disfarça de "cultura". A chamada "cultura popular" nada mais é do que uma resposta a cultura clássica que parece arrogante, difícil de ser entendida e metida a besta demais para ser aceita pela "massa". 

Como a raiz da palavra vem de "culto" (adjetivo que qualifica aquela pessoa que tem cultura, que é instruída, civilizada ou informada, que tem conhecimento sobre vários assuntos), o Kitsch serve ao grande público porque não "força" o entendimento mais profundo de nenhum assunto e ainda permite que o sentimento/objeto/produto seja consumido, sem exceção. Algo como "Monalisa? Claro que conheço. Eu tenho um quadro dela no meu quarto." Rapaiz...

MEDIOCRIDADE COMO ESTILO DE VIDA  


Sendo esmagado pela normalidade e pela mediocridade de qualquer sociedade na qual ele viver, o artista é uma contestação viva. Ele sempre representa o contrário da idéia que todo homem em toda sociedade tem de si mesmo. - Pier Paolo Pasolini

Não existe vitória contra a mediocridade, além da conquista pessoal de combate-la dentro de si mesmo. A mediocridade é uma instituição que serve e movimenta o mundo. Sem a mediocridade, você não teria dança de celebridades, inúmeros programas de culinária, revistas e sites de fofocas, pornografia, jornais sensacionalistas, certas propagandas e publicidade, comércio e por aí afora. A mediocridade é aquele mal necessário que alimenta e satisfaz os desejos não atendidos de amor, poder, dinheiro, status e a relevância de existir. Na verdade, ser contra a mediocridade seria tão estúpido quanto ser medíocre. 

Porém, aceitar a mediocridade é muito diferente de viver em mediocridade, viver na média. Média é pão com manteiga e tudo mundo quer mais. A Cultura, via de regra, depende da Educação. Sem entrar na problemática do ensino no mundo, educar-se é um ótimo ingrediente contra a mediocridade. A escolha entre passar horas entre twitters e Intagrams alheios ou lendo Don Quixote é totalmente pessoal. Um equilíbrio possível, seria arrumar tempo para fazer as duas coisas.

A mediocridade não vai passar. Mas você pode passar por ela. Ou pode até virar presidente. A escolha é sua. Até a próxima!

 
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DIA DOS NAMORADOS E O AMOR QUE NÃO SE ENXERGA (NA CRISE)


"O amor, esse sufoco,
agora a pouco era muito,
agora, apenas um sopro.
Ah, troço de louco,
corações trocando rosas
e socos"

Paulo Leminski

O Amor é uma presença constante aqui no AGE, pelo menos no sentido filosófico do termo porque Amor não se explica. Amar é uma necessidade tão biológica quanto o sexo (que é uma das expressões do Amor mas não o Amor em si) ou beber e comer. 

Porém, assim como qualquer outra compulsão, amar demais pode ser prejudicial, perigoso e até mortal para todos nós. E amar de menos, a própria morte em vida. Ainda pior do que estas duas opções, amar "mais ou menos" é o grande paradigma dos tempos modernos, onde a necessidade da "expressar e sentir tudo" (Ego Inflado, narcisismo) tornou-se uma prioridade. Com tanta gente "se amando" nas Redes Sociais e afins, ainda existe espaço para amar o outro?

E, afinal, o que você ama de verdade?


A frase, "O Amor é cego apareceu pela primeira vez na obra "The Merchant's Tale" de Geoffrey Chaucer, em 1405. Shakespeare repetiu o termo em diversas peças que escreveu e o sentido atual permanece o mesmo até hoje: quem ama, não enxerga: não enxerga os erros e os defeitos do seu "objeto de Amor" e nem os seus próprios. Novamente, este é um efeito biológico para garantir a reprodução da espécie.

Estar em "Estado de Amor" ou apaixonado, inibe certas áreas do cérebro para que a pessoa não freie sua busca pela reprodução. O termo "objeto de Amor" não é nada romântico e nem precisa ser porque a outra pessoa é vista mesmo como apenas um objeto para cumprir um mandato hormonal com base em critérios que vão da raça escolhida até o tamanho da pélvis nas mulheres ou o tamanho dos braços (desculpe se você pensou em outro membro) nos homens. Biologia não tem Cupido!

SEXO: A PROPAGANDA E PUBLICIDADE DO AMOR


Me cobrou um amor, que no momento eu só posso sentir por mim... Meu amor próprio, é tão grande que não cabe você! Caio Fernando Abreu
Amor vende. Sexo vende. De camisinhas até planos de saúde, Amor e Sexo se misturam nas intenções de compra e venda daquilo que é desejado para si mesmo ou para o outro. Uma pesquisa recente demonstrou que as pessoas estão comendo mais e transando menos. Stress, falta de grana e outros fatores sociais como cuidar dos filhos, problemas familiares, a falta de tempo, etc reduziram drasticamente o número de relações sexuais no mundo. Se encontrar o Amor que se idealiza (todo Amor é uma idealização de um modelo sonhado como perfeito) está difícil, encontrar o sexo está cada vez mais fácil

Tal facilidade transformou o Amor em um subproduto e elevou o Sexo a categoria de Dono do Pedaço. Amar é transar e vice-versa, principalmente entre os jovens, uma mentalidade que dificulta ainda mais a capacidade do Amor de ser visto e reconhecido pelo que ele realmente é: um projeto em eterno desenvolvimento. E como o sexo vende, tem muita gente comprando gato por lebre por aí. O Amor precisa de tempo, disciplina e cuidado. O sexo não. E dá-lhe brigas, separação e divórcios depois que cai a ficha. 

Tal como explicado pelo  sociólogo polonês Zygmunt Bauman em seus livros, o Amor e o Sexo agora são "líquidos", diluídos e solúveis. Eles não satisfazem totalmente e a pessoa volta para o "mercado" para buscar mais, assim como fazem quando falta comida ou bebida. Não admira o porquê de estarmos engordando tanto...



A famosa Pirâmide das Necessidades do psicólogo americano Abraham Maslow pode ajudar a entender a nossa perda de pertencimento com o passar dos anos. Maslow pesquisou o que fazia as pessoas se sentirem felizes e realizadas, enquanto os demais psicólogos focavam nas neuroses, fobias e complexos (como Freud, por exemplo). Chegar até o topo é um caminho que pede reflexão, um desafio que fica obscurecido quando estamos apaixonados e felizes. Isso não quer dizer que você precise se tornar um miserável e infeliz celibatário, calma lá. 

Apenas repare que o Sexo não faz parte da Pirâmide. O Amor, sim. A explicação é simples: o Amor é intangível, imaterial e não sólido mas pode ser duradouro. O Sexo é tangível, físico e material mas passa, sempre passa. É claro que isso seria uma propaganda horrível para o Dia dos Namorados, motéis, camisinhas ou qualquer outro produto que se queira vender.

Mídias Sociais e uma infinidade de aplicativos de relacionamento surgiram para "facilitar" o encontro com o Amor. Selfies e perfis sensuais com biografias supostamente perfeitas contam uma história de pura felicidade pessoal. Enquanto isso, na "vida real", milhares reclamam da solidão, da falta de companheirismo e da compatibilidade entre o que "se vende" e o que se entrega. Tem algo errado aí...

O AMOR QUE SE ENXERGA


Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito. - Clarice Lispector
Amor é um tema simples e complexo. Quem está em um relacionamento sabe disso e quem não está também. Amar é, ao mesmo tempo, pessoal e social porque amamos conforme a nossa época e momento no tempo. Não dá pra saber se Romeu se mataria com Julieta se tivessem uma conta no Facebook ou no Tinder. Em termos de Amor, nada pode ser definitivo porque, sem movimento e fluxo, o Amor simplesmente não existe.

A multiplicidade de escolhas e também de gêneros, torna o Amor algo praticamente impossível de ser escalado ou generalizado. O que temos é o comportamento social como seres humanos que nos leva ou afasta de uma direção. E as pesquisas disponíveis são como placas de trânsito que sinalizam o quanto estamos mais perto ou longe de "chegar lá" dentro da nossa autorrealização individual e com uma outra pessoa. E, pra ser sincero, nada além disso.

"Tem que gostar de mim como eu sou", "se não for do meu jeito, vaza" e outras frases ignorantes como estas, demonstram como estamos longe de entender o tempo e o dialogo que o Amor precisa. Tempo para entender que Amor também é conflito e busca (conjunta) por objetivos comuns, se eles podem existir quando o sexo e até o ciúme (sim, ele mesmo) acabam e por aí vai.


Já escrevi em outro artigo que paixão significa sofrimento voluntário. É uma entrega. Apaixonar-se é uma entrega, uma aventura misteriosa e desconhecida em direção ao autoconhecimento pelo conhecimento do outro. Para enxergar isso, talvez seja preciso sofrer um pouco, tirar aquela névoa de perfeição e felicidade arrebatadora que nos contagia no começo de qualquer relacionamento. Na verdade, o Amor só é cego se você quiser que ele seja. Uma dica pode ser querer menos e enxergar mais.

Que você, casado ou não, solteiro ou namorando possa tirar o melhor proveito das suas experiências amorosas, de todas elas. Se tudo passa (Amor, Felicidade, Juventude e a própria Vida), que a viagem seja a melhor possível, enquanto dure. Até a próxima!

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